Pular para o conteúdo principal

Impossível evoluir com os olhos vendados



                                    

Os que deram de ombros para a catástrofe Bolsonaro com o único, fútil e vazio intuito  anti-petista agora se fazem de otimistas e patriotas e "torcem para o governo dar certo". Chega a ser patético, porque e
ssa torcida é irrelevante, desnecessária e sem sentido pois o próprio governante age incessantemente contra ele mesmo todos os dias. É o primeiro governo recém-empossado mais mal avaliado da história em menos de cem dias. Sem torcida ou com torcida está condenado ao fracasso.

Essas pessoas certamente são algumas das que responderam à última pesquisa Datafolha que considera o presidente pouco inteligente, mas mesmo assim votaram nele, porque lembrem qualquer coisa era melhor que o PT. Diante disso escolheram não só uma Qualquer Coisa, mas uma verdadeira bancarrota, a decadência de um país inteiro no qual eles mesmos estarão submetidos durante quatro anos, porque é impossível desvincular o governo de um país do cotidiano das pessoas. Atos, escolhas, programas e políticas públicas fazem parte do desenvolvimento ou da derrocada de uma sociedade.

Não me atrevo a dizer que todos os eleitores bolsonaristas ou seus apoiadores sejam desprovidos de inteligência, porque muitos já perceberam a catástrofe que o país se meteu. O que fica explícito ao tentar dissimular, explicar a má escolha ou a omissão por escolher o voto nulo é a  irresponsabilidade e a total falta de maturidade como cidadãos. Com os olhos vendados, seguirão coniventes e cúmplices dos mal feitos e arrastarão consigo as tragédias futuras, sempre "torcendo para dar certo" mas nunca evoluindo para uma tomada de consciência.

Pobre Brasil, um Big Brother repleto de brutalidades, frivolidades e desrespeito ao ser humano. Quanto mais piora, a incompetência dá conta de piorar ainda mais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Caderno, escritos do amanhecer

Queria escrever no teu caderno. Naquele que resgatei, antes de ser largado no lixo. Fiz isso talvez, digo talvez, por uma súbita intuição de desfecho. Queria ler e juntar teus pensamentos com os meus, misturando as letras e os manuscritos. Queria poder juntar nossas inspirações, talvez criar um romance, um conto, uma narrativa breve que seja, mesmo que tenhamos estilos diferentes e tua criatividade vá muito além da linguagem e do meu amadorismo. Queria misturar nossos traços, rascunhos,  já quase ilegíveis, formados numa infância onde se fazia caligrafia— isso já faz tanto tempo!—até produzir um texto ao menos coerente e coeso como mandam as leis da escrita. Ou não, pois ainda busco a licença poética dos artistas, que têm liberdade com as palavras, ao contrário das palavras ditas que podem ser a nossa desgraça. Eu precisava do caderno, não para descobrir teus segredos, mas para ter o privilégio de escrever de meu punho, junto ao teu, naquelas folhas amarradas em espiral com uma cap...

Diversidade Incômoda

Tempos atrás escrevi um texto com o título Sobre Malandros e Indolentes que falava sobre um comentário racista, desumano e perverso de um político brasileiro sobre negros e indígenas. Lá citei o exemplo de vida de minha trisavó, cuja história, mesmo sabendo quase nada, usei para repudiar veementemente a fala do político. Segundo relatos que eu ouvia da família, ela era uma mestiça filha de um negro com uma indígena ou vice-versa. No texto eu dizia que provavelmente ela tinha sido escrava da família onde passou a viver, não se sabe em que circunstâncias, na fazenda de um criador de gado no interior do Rio Grande do Sul com quem, depois dele enviuvar, passou a conviver como sua mulher.  Joanna Apolinário , minha trisavó por parte de mãe nasceu em junho de 1867 em Corrientes na Argentina. Em leituras posteriores descobri que a abolição da escravatura na Argentina foi promulgada em 1813, mas de fato só passou a vigorar em 1853, o que pode ser descartada a hipótese de ela ter nascido e...

Tanger em 8 horas طنجه

Era agosto de 2019 e tínhamos iniciado uma viagem desde a Galícia até a Andaluzia , comunidades autônomas da Espanha, passando por várias cidades portuguesas e espanholas. Fazia parte do roteiro uma visita à cidade de Tanger no Marrocos, atravessando o Estreito de Gibraltar no Mar Mediterrâneo desde o Porto de Tarifa . Tínhamos reservado os bilhetes com antecedência no sítio denominado GetYourguide e a reserva incluía a travessia de ida e volta de barco, translado em ônibus dentro da cidade e passeio a pé com guia local e almoço. O porto marítimo de Tarifa parece um mini aeroporto com amplas salas para espera, embarque e desembarque de passageiros, controle de metais e de imigração feitos pela Polícia Nacional Espanhola. Embarcamos às 10 horas de um domingo num confortável e enorme barco de passageiros que a empresa turística chama de balsa , porque transporta pessoas e veículos. A balsa era super confortável com assentos estofados dispostos em dois largos deques envidraçados c...