quarta-feira, 24 de junho de 2020

Intelectuais desmoronam

O Pensador de Rodin - Pixabay


Lya Luft, escritora gaúcha escreveu dezenas de livros e traduziu outras dezenas de autores importantes no idioma alemão em que era formada. Eu li só Perdas e Ganhos da autora e confesso nem lembro mais do que se trata, mas tinha respeito por sua obra. Hoje me surpreendo—ainda tenho essa capacidade—com a declaração dessa senhora à Folha de São Paulo, dizendo-se arrependida de seu voto no atual presidente.

Na minha opinião, Lya Luft e Regina Duarte são da mesma natureza. Uma traduz tecnicamente livros que não lê,  a outra interpreta tecnicamente personagens que não entende.
A miséria intelectual, o analfabetismo político e a irresponsabilidade cidadã estão escancaradas na classe média brasileira, cujos representantes demonstram isso assim naturalmente como se falassem de trivialidades. Bem, trivialidade e dissimulação nesse caso são especialidades nessas pessoas.

Dizer que estava "cansada" do PT por causa da "esculhambação e da corrupção" é próprio de quem se informa somente por canais como a Zero Hora e a RBS, representantes supremos do mofo jornalístico gaúcho, onde a escritora só tem o alcance das simplificações. Ela disse também que não conhecia o candidato. A verdade é que ele não se deixou conhecer muito mesmo, pois fugiu desesperadamente dos debates políticos para tapar seu despreparo e incapacidade intelectual. Mas acaso ela nunca ouviu as bravatas nojentas que este senhor desfechava na cara de seus entrevistadores? Acaso ela nunca ouviu o que ele disse para a Deputada gaúcha Maria do Rosário? Acaso ela nunca ouviu suas recorrentes apologias à tortura, ditadura e à homofobia? Acaso essa senhora assistiu a votação do impeachment em abril de 2017, aquela noite nefasta onde se desnudava a política fisiológica brasileira, cujo maior e mais despudorado representante foi o atual presidente? Bem, talvez ali a escritora já começava a ver alguma afinidade com suas próprias convicções.

Fiz um comentário parecido com esse no artigo da Folha e algumas pessoas me perguntaram onde estava meu perdão e empatia? Lembrei logo das mais de 50 mil mortes por Covid-19 a esta altura da pandemia, cujo presidente e seu governo não têm a dignidade de empatizar-se e solenemente ignoram todos os dias. Quanto a perdoar, depois de toda essa tragédia sanitária, social, econômica e da educação que o Brasil vive, seria me pedir o impossível.  Ela, sim deveria pedir perdão aos brasileiros, assim como alguns já fizeram.

Antes essa senhora tivesse ficado quieta, seria mais digno o arrependimento sem a manifestação, mas algumas pessoas são incapazes de vislumbrar quando suas falas trazem a possibilidade de enterrar suas próprias biografias. É mais uma que vai rumo à perda de significância, seus livros para o despejo e o ganho de muitos ex-leitores.
E isso não é fazer patrulha ideológica, isso é patrulha civilizatória. Felizmente o Rio Grande do Sul tem Luiz Fernando e Érico, incomparáveis. 


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Coisas que muitos brasileiros ainda não entenderam sobre a Pandemia, segundo quem viveu o lockdown na Espanha



1. O coronavírus é um vírus DESCONHECIDO, ainda está sendo estudado pela comunidade científica internacional. Não tem vacina para prevenir o contágio e tampouco um medicamento eficaz para a cura dos infectados.

2. O coronavírus já infectou no Brasil em 4 meses mais que Dengue e H1N1. Já matou mais que enfarto, AVC e que acidentes de trânsito ocorridos em todo 2019, portanto NÃO É UMA GRIPEZINHA.

3. As maiores autoridades da pesquisa científica brasileira e internacional estão debruçadas no estudo do coronavírus e ainda não tem estudos conclusivos. É  preciso então tomar cuidado com pseudo- teóricos locais sem notoriedade e suas pseudo-teorias que só servem para confundir a população.

4. O CORONAVÍRUS NÃO VAI PARAR SOZINHO, ELE TEM QUE SER PARADO.

5. As únicas formas de barrar a contaminação são o ISOLAMENTO, o DISTANCIAMENTO SOCIAL, a PROIBIÇÃO  DAS AGLOMERAÇÕES e a RESTRIÇÃO DA CIRCULAÇÃO DE PESSOAS somente para as atividades básicas.

6.Não existem leitos de UTI suficientes se todos os contagiados precisarem de atendimento, nem se a pessoa tiver seu plano de saúde top de linha.

7.Os estabelecimentos de saúde já vivem lotados em tempos normais, agora ainda mais que esse vírus
provoca sintomas indistintos como febre e tosse, comuns a outras afecções. Respeito e empatia com os profissionais de saúde também é interessante nessa hora e sempre.

8.No meio de uma pandemia A VIDA NÃO ESTÁ NORMAL. O mundo inteiro vive hoje esse impasse.

9.  Compras no shopping, festinhas particulares, rodinhas de chimarrão(para os gaúchos) e viagens injustificadas são futilidades que devem ser evitadas e a responsabilidade, a empatia e a solidariedade devem falar mais alto. "Não quero me contaminar e trazer o vírus para dentro de minha casa, assim também não contamino ninguém", esse é o princípio.

10.Shopping aberto NÃO QUER DIZER : "Vá comprar que está tudo bem"

11.Pensar em retorno às aulas, festas populares e futebol nesse momento é muita leviandade e irresponsabilidade tanto por parte da população, quanto do poder público.

12. O coronavírus não será barrado com reza e sim com atitudes responsáveis, planificadas, estabelecidas e conciliadas entre a população e o poder público e o mais importante com DISCIPLINA.

13.O poder público tem a obrigação de dar suporte e renda básica para toda a população afetada pelas medidas de distanciamento social enquanto durar esse período. O mundo inteiro está fazendo isso.

14. Negar a epidemia também não vai parar o vírus. 40 MIL BRASILEIROS JÁ MORRERAM, mas muitos ainda falam em "fantasia", esquivando-se da verdade. QUEM NEGA A GRAVIDADE DA PANDEMIA PROLONGA UMA SITUAÇÃO QUE TODOS QUEREMOS VENCER E SAIR VIVOS, AINDA ATRASA SUA PRÓPRIA VIDA E AS VIDAS DE QUEM ESTÁ FAZENDO A COISA CERTA.

Obs : Peço desculpas por escrever em caixa alta, não é meu costume em rede social, mas hoje se faz necessário. É quase um clamor : POR FAVOR, FIQUEM EM CASA! ESTE VÍRUS LO PARAMOS UNIDOS!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A América sem ar

Imagem do filme Human : Torre humana típica da Catalunha (Tarragona)

Os acontecimentos mundiais parecem sempre andando em círculos, em sobe e desce ou num vai e vem para diante e para trás. Quando se iniciou o século XXI tínhamos esperanças, porque afinal os anos dois mil traziam no inconsciente coletivo boas promessas para o milênio. Na realidade houve muitos avanços civilizatórios ao mesmo tempo que conflitos e atentados terroristas ainda se desenrolaram ao redor do mundo como o famoso ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York em 2001 e o eclodir da guerra civil na Síria em 2011. 

Mas a despeito da evolução do conhecimento, na obtenção de riqueza e de novas tecnologias o homem não avançou naqueles que foram os valores norteadores da Revolução Francesa propostos em 1789, final do século XVIII, Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Mais adiante, quase duzentos anos depois em 1948 as Nações Unidas escreveram, ratificaram e proclamaram a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana e até hoje seguimos sem termos garantidos nem o primeiro artigo : 

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

No cenário de 2020, falar de direitos humanos parece mais uma fantasia para os incrédulos, uma lorota para os piadistas, palavras vazias para os hipócritas, alento para os religiosos e utopia para os sonhadores. Ainda temos que suportar a intragável expressão criada por alguns anarquistas e desordeiros da Justiça e do Direito - direitos humanos para humanos direitos. 

Quem teria o supremo aval para julgar e separar quais humanos seriam os direitos e quais os tortos? E segundo quais concepções, paradigmas, conceitos e ideologias? Das religiões, da política, da imprensa, de algum guru ou do autocrata da hora?

Para que o primeiro artigo da Declaração tivesse robustez precisaríamos saber primeiro o que realmente nos torna humanos. Homem, conceituaram os antropólogos, é um animal racional, dotado de razão, para que possamos nos diferenciar dos animais.  Mas só a racionalidade relacionada à juízo e discernimento a meu ver não torna ninguém humano. A essência de ser humano precisa estar ligada  a outros atributos como empatia,  solidariedade,  piedade,  sensibilidade, cooperação e amor fraterno. 

Todas são características humanas, mas  que em tempos de ódio, desinformação e polarizações ideológicas soam piegas, como excesso de sentimentalismo ou ainda como expressão relacionada com a era da queixa ou da lamúria, como detestavelmente temos visto muitas referências no ambiente tóxico das redes sociais.

Em que parte desse homem humano foram abandonadas essas emoções e sentimentos ou por quais sentimentos e emoções foram substituídos? O que move o homem humano hoje?
De qualquer maneira, sem saber essas respostas é preciso falar sobre solidariedade quando sabemos que vários jovens e crianças são mortos pela polícia dentro de casa ou a caminho da escola alvejados de balas.

É preciso falar sobre piedade quando o mundo inteiro assiste um policial matar a George Floyd por asfixia, quando já estava rendido. É preciso falar sobre empatia quando uma jovem parlamentar como Mariele Franco é morta com tiros à queima roupa, numa tocaia planejada por milícias financiadas pelo Estado. É preciso falar de sensibilidade e cooperação, quando uma mulher negligencia a Miguel, filho de cinco anos de sua empregada e provoca fatos que desencadeiam a morte da criança, fato acontecido no Recife.

É preciso falar de responsabilidade, ética e envolvimento quando presidentes de nações minimizam a gravidade de uma pandemia e vulgarizam os milhares que caem mortos todos os dias, por omissões, teorias absurdas, lógicas de mercado e mal feitos governamentais. Não é incrível que todos os fatos citados envolvam em sua maioria pessoas pobres e negras?

O preconceito racial e de classe está definitivamente revelado. É institucional e cotidiano, enquanto a mídia, até pouco tempo vendia uma imagem falsa do Brasil como um povo acolhedor, simpático e caloroso da mesma forma que vendem a imagem dos Estados Unidos como a mais perfeita sociedade e democracia do planeta. 

Depois de quatrocentos anos de escravidão, de norte a sul a América ainda padece dos efeitos e consequências deste que é um dos maiores flagelos da história humana. Nossos pescoços vêm sendo amassados rotineiramente pelas botas do racismo, do preconceito, das iniquidades, da intolerância e de governos intimidatórios, ameaçadores e recortadores de direitos.

O ar está cada dia mais poluído de acontecimentos nefastos e antidemocráticos,  o horizonte próximo não enseja mais que probabilidades catastróficas para um Brasil mergulhado ao mesmo tempo em duas crises graves.

O único alento é que também faz parte da essência humana a busca por sobrevivência e justiça. Com o esgarçamento das atrocidades, essa essência tende a impulsionar a procura por ar puro, livre de vírus e de abusos. Se haverá luz no final desse túnel ou se esse túnel tem final não sabemos.

Eventos como os que vitimaram George Floyd precisam fixar na memória do século XXI  e que esse exemplo seja um grito eterno junto a outros como Martin Luther King, Nelson Mandela, Gandhi, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Zumbi dos Palmares, Dalai Lama, Malala, Angela Davis e tantos outros que lutaram e lutam para que o homem se torne humano e encontre a paz.

                     Precisamos de uma trégua, porque está difícil respirar.


 


                                            Human : yje movie, cut version...O que nos torna humanos?

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Viver para consumir ou consumir para viver?


Calle Principe, Vigo

Nunca fui uma pessoa propriamente consumista ou acumuladora a não ser de livros, embora nem todos eles ainda estejam comigo, muitos acabaram sumindo por doação, empréstimo ou esquecidos em algum canto. Por outro lado, passei muito tempo me deixando alvejar pela publicidade da televisão e do consumo por impulso. Trabalhando desde os vinte e poucos anos e tendo um salário razoável em comparação com a média brasileira, confesso, era a alegria dos vendedores de perfumes, cosméticos, das novidades eletroeletrônicas, de utilidades domésticas, roupas, sapatos, acessórios, etc...Mas, nem de longe me comportava da maneira que observava entre amigas, colegas de trabalho ou conhecidos. Em geral, eu apenas via com normalidade a atitude de pessoas perdulárias e endividadas, aficionadas por marcas de produtos, ostentando coisas muitas vezes incompatíveis com seu ganho mensal ou aventurando-se em negócios de risco. Em alguns grupos sociais esse comportamento é quase uma regra, geralmente entre as pessoas que super valorizam a aparência, os disfarces e as vaidades. No entanto, a busca por ascensão e inserção social é natural nas sociedades capitalistas que através do trabalho buscam essa recompensa, o que para outros pode tornar-se eterna ruína se não houver controle, comedimento e equilíbrio.
No Brasil, o final da década de noventa e os primeiros anos dois mil foram pródigos em viabilizar grandes aquisições como de carros e casas, ítens de sonho da classe média. Nessa época eu entrava numa estabilidade na carreira profissional e também contraí dívidas comprando imóvel, mobiliando a casa e pagando universidade particular para os filhos, poupando quase nada e mal gastando em bugigangas e artigos supérfluos.
Era comum usar o recurso das compras parceladas, o qual reconheço, ainda é forçoso para muitos num país que não valoriza o salário mínimo e segue na extrema e vergonhosa desigualdade de renda entre as categorias sociais e profissionais. Não sou especialista em economia, mas acredito que o capitalismo devora a renda das pessoas de duas formas de acordo com o poder aquisitivo. E aqui não  falo dos ricos, os donos do capital que são os que tem poder e influência nas sociedades. Falo do assalariados e informais de baixa renda cujo sistema toma todo o ganho mensal no alimento, na moradia e nas taxas públicas obrigando-os ao recurso do crediário para as necessidades de maior vulto. Os trabalhadores médios, com maior poder de compra e que poderiam ter uma certa capacidade de reserva deixam-se encantar pelo apelo midiático e consequentemente acabam seduzidos pelas compras por impulso e são engolidos pelo endividamento. Hoje não encontro justificativa e vejo até como um delito que os órgãos reguladores permitam que empresas de cartões de crédito, financeiras e o comércio em geral priorizem a venda de tudo pelo crediário e muitas vezes sem transparência, sem um processo educativo e com técnicas de coação do consumidor. Já achava absurdo e agora inimaginável comprar roupas, por exemplo, parcelando o valor em oito vezes como é praxe nas mais conhecidas e grandes lojas de departamentos no Brasil.
Com o tempo e a mudança para outro país passei a vivenciar outros padrões de consumo e de não consumo ao mesmo tempo que aprendi a valorizar o dinheiro. Em primeiro lugar, porque fui para um país com uma moeda mais forte e precisei de um tempo para averiguar a valia das coisas. As altas taxas cobradas pelas transferências internacionais também forçam a necessidade de controle de gastos e por isso também passei a dar muito sentido em como gastar cada euro. Na cotação de hoje um euro já ultrapassa espantosamente mais de seis reais. Quando cheguei aqui há seis anos não alcançava nem quatro.
Tive também outra percepção de mundo quando constatava invariavelmente nas pessoas do meu novo país o sentido do não desperdício e da economia de recursos. Ouvi muitas histórias de fome e guerra referentes à Guerra Civil Espanhola da década de 30 do século XX que destroçou o país economicamente trazendo pobreza e fome e emocionalmente separando famílias pelas mortes, prisões e pela luta em si.  Esses fatos ainda estão muito presentes na memória de muitas famílias.
Nesse período de mudanças também passei a observar novos padrões de consumo e percebi como normalizamos ver as vitrines das lojas no Brasil com os preços das mercadorias mostrados em "parcelas de pagamento". Aqui esse tipo de consumo à crédito é quase inexistente a não ser para produtos de maior valor. Para isso estão as hipotecas. Reconheço um único movimento de consumo muito popular aqui na Espanha que é a época de liquidação de estoques em final de temporada, as famosas "rebajas". Muita gente espera para comprar artigos que podem estar até 70 por cento mais baratos e é possível encontrar desde boas bagatelas úteis ou até coisas muito baratas, porém inservíveis.
Nos últimos anos também passei a ter mais informação sobre economia solidária e sustentável, sobre o trabalho similar ao escravo na indústria da moda, sobre os aditivos químicos dos alimentos ultraprocessados, sobre o comércio de grãos e sementes nas mãos dos grandes do agronegócio, sobre agricultura familiar e orgânica, sobre o negócio da carne e os danos sobre o meio ambiente e o organismo humano e  também sobre o acúmulo de lixo que gera em todo planeta na conta do consumo. Tudo isso arrematado ao grande revés planetário do aquecimento global. Diante desses temas passei a avaliar melhor a necessidade e a qualidade de cada produto que era impelida a comprar. A partir daí passei a analisar melhor minhas necessidades e a possibilidade de consumir menos e melhor, o que afinal poderia me trazer mais saúde física, mental e financeira além de contribuir como um grão de areia para a preservação ambiental.
Com a pandemia desse difícil 2020, o consumo restringiu-se ainda mais, pois a maioria dos comércios não essenciais  fechou e só podíamos nos afastar de casa para ir no supermercado mais próximo. Comprar o essencial do essencial passou a ser a rotina, pois havia uma urgência em sair do estabelecimento cuja ocupação estava limitada a trinta por cento e às vezes havia fila no lado de fora.
Quando começou o processo de abertura da economia, os negócios tentaram se adaptar e vi uma notícia que lojas de roupas abririam para atender clientes com agendamento. Achei bem bizarra essa medida, embora respeite a tentativa de sobrevivência dos locais, mas esse modelo jamais me serviria como consumidora. Ao invés disso, se tivesse tanta urgência em comprar roupas, preferiria optar pela compra por internet que podemos fazer comodamente de casa, sem pressa, com distanciamento social, com a opção de devolução e sem constrangimentos. Aliás, comprar pela internet já é um hábito cada vez mais popular e minha experiência pessoal com essa prática é bastante positiva.
Como já disse em textos anteriores não me tornei avarenta e tampouco radical anti-consumo, pois ainda gosto de experimentar novas marcas, modelos, cores e sabores e o gosto pelas viagens persiste firme e forte. Apenas me dou conta que, além dos problemas costumeiros ainda longe de solução, estamos sujeitos a sermos surpreendidos por fatos como essa pandemia, que mudem muitas situações de vida, emprego e renda. Entendo com isso que é preciso sempre parcimônia quando os recursos são limitados ou escassos. Depois e durante a pandemia será preciso essa reflexão. Talvez uma reflexão sobre minimalismo a que muitos já estão obrigatoriamente submetidos, mas que seja uma nova ordem para aqueles que estão sempre dispostos a sair de casa para comprar o que não precisam. Uma tendência a reduzir tudo ao essencial, a nos despojarmos do que sobra, dividir, igualar e equiparar poderia vir a ser uma conduta saudável. Utopia, talvez.

Insônia