segunda-feira, 31 de outubro de 2022

A esperança foi para as ruas





Depois de outro domingo tenso, além da importante vitória da democracia, veio a vitória da sanidade, da ciência, do respeito, da cordialidade, da tolerância, do diálogo, das instituições democráticas, do conhecimento. Veio o conforto e o alívio, depois de quatro anos de desmontes, desgraças, violência, empobrecimento, opressão, terror e ódio. Nas ruas as pessoas se juntaram num clima de fraternidade e alegria. Desconhecidos se acenavam e se abraçavam, se reconheciam um no outro. As bandeiras saíram desfraldadas depois de anos escondidas pelo medo atrás das portas. Os gritos trancados e sufocados saíram da garganta e aliviaram as almas daqueles que resistiram, dos que sabiam desde o princípio que aquele rumo de 2018—e de antes até—não daria em nada auspicioso. Foi o grito também dos que enxergavam além das simplificações, das bravatas, dos absurdos, das afrontas.

Muitos choraram pelas vítimas da Covid-19, pela falta de oportunidades enfrentadas pelos filhos, pelas pessoas que empobreceram, pelo imenso contingente de miséria e fome que assolou o país,  pelas mortes de ativistas e indígenas na Amazônia, pelas mortes de pessoas negras pela polícia, pelo desmonte das politicas públicas, pelas barbaridades cometidas pelo governo e ditas pelo chefe de Estado e por seus pares. Pela vergonha alheia quando se pronunciavam e por todas as suas ações avessas ao desenvolvimento social, ambiental, institucional, econômico e humano.

Infelizmente, somos ainda 51 por cento, mas gostaria que a partir de 2023, os 49 aprendessem uma lição importante:  Lula, um brasileiro, é o maior líder político do mundo, que como ele mesmo disse, tentaram enterrar vivo. Ele sim, é o verdadeiro mito que se torna uma lenda, aquele que tentaram trancafiar e aniquilar.  Assim fazem os medíocres com poder, sempre tentam calar e difamar os gigantes. Lula se iguala aos grandes personagens mundiais como Gandhi, Mandela, Mujica, Salvador Allende, Simón Bolívar, Che Guevara, Martin Luther, Dalai Lama, John Lennon, Chico Mendes, etc. É incontestável, o mundo sabe.  Os líderes mundiais prontamente o parabenizaram pela vitória. 

Além disso, na pessoa dele como Presidente e em sua forma de governar, desejo que os 49 por cento aprendam, ainda que pouco a pouco, sobre tolerância, sobre respeito à diversidade, sobre respeito às crenças religiosas e aos ateus, sobre a importância do conhecimento, sobre informação de qualidade, sobre desarmamento e sobre pacifismo. E o mais importante, que aprendam que a pobreza não faz parte da paisagem e que os pobres não são criminosos. Que os méritos devem ser considerados como tal, somente quando a linha de partida seja igual para todos, assim aprender o que é justiça social. Que aprendam que a distribuição de renda não será feita confiscando nada de ninguém. Que as cotas raciais são uma forma de reparar os mais de 300 anos de escravidão e que o racismo seja literalmente extinto dos corações. Que os nordestinos são um grande povo, com sua cultura, sua arte e sua gastronomia e que não há a mínima chance que as regiões do Brasil se separem por conta de ideologia política. O Brasil é nosso país por inteiro, o verde-amarelo é a nossa cor. E por fim, que o capitalismo esteja a serviço do desenvolvimento humano e não para servir a perversos poderes e poderosos. 

Para terminar, parabenizo e confraternizo com todos os que resistiram, que brigaram, que perderam amigos e familiares para o ódio, que tentaram argumentar, que tentaram mostrar o caminho, aos que entenderam, aos que estudaram, aos que leram, aos que se compungiram, aos que foram generosos e ouviram com atenção, aos que acreditaram. Agora é reconstruir as ruínas deixadas, pedra por pedra e esperar que o futuro seja um lugar melhor para se viver! Feliz próximos anos para todos nós, e para eles também!

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Começar do zero


Todo lo que vimos se nos fueSoñé que siempre iría al ladoEso que inventamos ya no esAhora solo existe el pasado
Y me toca entenderQué hacer con tus abrazosAhora toca aprenderCómo dejar de querer
Saber borrarlo bienQue igual que vino, fueQue hoy es cero
Quiero que todo vuelva a empezarQue todo vuelva a girarQue todo venga de cero, de cero
Y quiero que todo vuelva a sonarQue todo vuelva a brillarQue todo venga de cero, de cero
Eso desaparece y no lo vesEse regalo que la vida pone al ladoDura lo que dura y ya se fueNi tú ni yo lo hemos cuidado
Y ahora toca entenderQué hacer con tanto dañoY ahora toca aprenderCómo dejar de querer
O saber borrarlo bienQue igual que vino, fueY es tan feo
Quiero que todo vuelva a empezarQue todo vuelva a girarQue todo venga de cero, de cero
Y quiero que todo vuelva a sonarQue todo vuelva a brillarQue todo venga de cero, de cero
Y siento que todo lo malo es pensarQue todo lo que viene, vaQue todo se va consumiendoY el silencio manda hoy más
Yo quiero que todo vuelva a empezarQue todo vuelva a girarQue todo venga de cero, de cero
Y quiero (que todo vuelva a sonar)Y quiero (que todo venga de cero, de cero)Y quiero (que todo vuelva a empezar)Y quiero (que todo venga de cero, de cero
(Dani Martin)

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

A esperança dança...



Durante quatro anos aturamos no osso do peito, como dizem os gaúchos, a truculência, a intolerância, a mortandade por Covid-19, o atraso nas vacinas, a visão da fome, a falta de oportunidades, o salário minguando, os direitos trabalhistas serem confiscados, a Amazônia sendo queimada, os ativistas ambientais serem mortos e a boa política sendo enxovalhada.

Vimos armas em punho desferindo tiros para alvos escolhidos ou aleatórios somente para gastar munição, porque tornou-se uma moda bonita portar uma arma, treinar em clubes de tiro e fazer gestos de armas na mão. Quem e quantos eles pretendiam e pretendem eliminar que necessita tanto treino? A guerra desigual dos "sem armas" contra os "armados" já é um fato e parte do povo continua escolhendo a si próprio como alvo.

Vimos a violência policial, o feminicídio e o racismo no seu estado mais puro.

Vimos o governo explodir de militares em cargos de confiança de governo, quando as Forças Armadas são instituições de Estado, além das mesmas Forças tentarem interferir no Sistema Eleitoral, que não é sua função constitucional.

Vimos a religião sendo mesclada com a política por falsos padres e pastores, bando de impostores, aproveitando-se da fé alheia com o intuito de depreciar costumes, culturas e pontos de vista numa diversidade imensa como a do povo brasileiro.

Vimos a expropriação da bandeira nacional e do verde-amarelo por um grupo de reacionários desvairados em nome de proteger o país de falsas e mentirosas ideologias que nem eles sabem explicar, face seu total desconhecimento da História do Brasil e do mundo.

 Vimos simplificações, generalizações e total falta de cientificismo, racionalidade e empatia para encarar problemas extremamente complexos num país gigante e diverso como o Brasil. 

Fomos ofendidos e atacados frontal e diuturnamente sempre quando o presidente abria a boca a desferir seus impropérios e destilar seu ódio contumaz, porque o ÓDIO foi adotado como política de Estado, com o apoio da mídia, de apoiadores congressistas, do sistema jurídico e de parte da população. Uma fração mais pobre e religiosa foi contaminada pela desinformação—provocada pela mídia  e pelo próprio governo que se aproveitaram de sua incapacidade de senso crítico— e outra mais abastada por interesses econômicos e total aversão ao povo. Ambas contribuíram para dar a tônica da política brasileira dos últimos anos.

Estamos cansados de tanta agressão. A democracia agoniza. A corrupção nunca foi tão escancarada. E já não resta nem mais pedra sobre pedra. Estamos vivendo sob escombros. 

Em 30 de outubro é fora escumalha, fora fascistas, fora embusteiros!

É#LulaPresidente13🌟

sábado, 22 de outubro de 2022

Vozes de dentro

Foto: Belén Pérez

Vozes de Dentro

Onde estás que não respondes?

Em que mundo, em que estrela tu te escondes, 

disfarçado nos céus?

Já faz um ano que te mandei meu grito,

Que em vão corre pelo infinito!

Onde estás, afinal?

Até quando estarás silente em meu canal?

Intertextualidade com o poema de Castro Alves Vozes d'África, quando o poeta perguntava por Deus. Eu pergunto por um ser humano, feito de carne, sangue, coração, pleno de gentileza, amor, generosidade e uma incrível vontade de viver. Um querido que partiu há um ano, não sei para onde e o que há sido dele. Se Deus não respondeu a Castro Alves, tampouco responderá a mim, porém Ele(ou Ela, a natureza) é o único que tem as respostas. Segundo dogmas religiosos, o mistério da morte é o grande mistério da vida, que se confunde com os mistérios da fé. Quanta onipotência, quanta onisciência e quão pouca generosidade com os que ficam e sentem falta dos que lhe foram arrancados do convívio! Ao menos, os que se vão, estarão bem? Seus espíritos estarão em paz e em meio à Natureza que lhes deu origem? Um dia eles voltarão para esse mundo cada vez mais insano e inconsequente do lado de cá? Se tiverem escolha, creio que não.

Parafraseando Bernie Taupin (na voz de Elton John em Skyline Pigeon) quero que tu voes como um pombo para além do horizonte, para tão longe quanto fores capaz, que conheça todos os mundos bonitos possíveis e sigas em direção aos sonhos que deixaste aqui para trás. 

E eu daqui seguirei perguntando... Por que? 

Em 22 de outubro de 2022.


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Até a próxima, se o universo permitir


Dizem os experts físicos que o tempo é a quarta dimensão  do universo que conhecemos. Mas somente do que ainda é conhecido pela inteligência humana.  Quando se fala em inteligência e racionalidade sabemos que existem seres inferiores ao homem, os chamados seres irracionais. Então por que não existiriam seres superiores neste nosso vasto mundo de possibilidades? O homem é demasiado arrogante para pensar o contrário.

Muitos livros de ficção como os de Blake Crouch e Diana Gabaldon contam histórias de viagens no tempo, os dois distinguindo-se pelo espaço de tempo viajado. O primeiro trata de passagens de poucos anos, meses, e até dias; no segundo os personagens percorrem dois séculos para frente e para trás. Essas leituras sugestionam e mais ainda, instigam a assimilar e entender que não existe passagem de tempo de uma maneira linear como estamos condicionados e como o autores bem sugerem em seus textos.

"Na física clássica e na percepção intuitiva humana, o tempo é visto como um parâmetro à parte das dimensões espaciais. Na teoria da relatividade, desenvolvida sobretudo pelos trabalhos de Henri Poincaré e Albert Einstein, o tempo é visto como uma das dimensões do espaço quadridimensional chamado de espaço-tempo". ( Wikipédia)

Mas o que seria a passagem de tempo não linear? Ou melhor dito, como imaginar que o tempo não passa, e sim que ele é estanque. Não existe passado, presente, tampouco futuro. Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos e séculos são somente convenções. Tudo está acontecendo  neste momento em linhas de tempo paralelas. Num futuro(?) distante talvez seremos capazes de dar uma olhadinha em nós mesmos quando crianças, na maturidade ou mesmo na hora da morte?

E se o tempo não transcorre da maneira que imaginamos, será mesmo que a morte existe? Quando somos tocados pelo desaparecimento de seres queridos, um turbilhão de dúvidas acercam-se de nosso espírito tentando entender para onde foram seus saberes, suas experiências, suas vivências. É um enigma de difícil aceitação que a vida se resuma somente na matéria com três dimensões e que a morte seja apenas um corpo inerte que vai desaparecer. A despeito de que o luto inevitavelmente um dia acabe nos tocando, os mortos permanecem vivíssimos na nossa memória. Na pior das hipóteses morreremos todos então, quando não houver mais ninguém para lembrar de ninguém?

Voltando à questão do tempo, quando vemos uma estrela brilhando no céu estamos olhando para um passado muito distante, pois essa mesma estrela demorou anos-luz*—unidade de distância usada na astronomia— para chegar até nossos olhos. Bem, a pergunta que não cala é se existe a morte ou se a vida é um conjunto de acontecimentos entrelaçados que podem ser mudados, extintos ou mantidos quando tivermos uma consciência superior, percepções mais avançadas da vida e do mundo a nossa volta. Será preciso a morte para que se revelem esses mistérios? Será essa a razão da morte? A revelação?

Oxalá seres superiores ou grandes mentores da humanidade recebam em seus mundos—se existem— nossos entes queridos ou nos visitem por aqui de vez em quando e nos ensinem o que desconhecemos. Senão estaremos eternamente significando a vida como sendo a morte o fim de tudo e seu único e derradeiro desfecho.

* 1 ano-luz equivale a cerca de 9 trilhões de quilômetros



terça-feira, 4 de outubro de 2022

Autorretrato

 


Me gustan los libros. Me gustan las historias. Me gusta leer y escribir. Me gusta la gente alegre. No me gustan las personas arrogantes. No me gustan los toscos. No me gusta falta de empatía. Me gustan los escrupulosos y razonables. Me gusta soñar con un mundo mejor y no me gusta la violencia. No me gustan las armas. Detesto injusticias. Me gusta el café, las cafeterías y estar con amigos. Me encantan las lenguas, los sonidos de las palabras y los acentos. Me gusta viajar. Me gusta conocer otras culturas. Me gusta desarrollar mí conciencia.  Me gustan las películas que hacen pensar. Me gusta alcanzar un reto. Me gusta la libertad de elegir y no me gustan juicios sencillos sobre temas complejos. Me gusta el mar y la playa.  Me gusta el paisaje de Galicia.  Me gusta aprender cómo hacer algo nuevo. Me gusta cuidar del medio ambiente. Me siento una extraña en mi propio país. A veces en mi propia familia. Me siento sola. Me gustaba enamorarme y no me gustó nada perder un amor. No me gusta la solitud que él me ha dejado. No me gusta la idea de la finitud. Afortunadamente tengo más filias que fobias. 

Como ejercicio de similitud utilicé el video original de los 13 autorretratos emitidos por el programa "Carta Blanca" em La 2 de TVE española de Nacho Piedra en 2006 que decía:

Autorretratos surgió de la dirección del programa de entrevistas como una forma original de presentar a invitados diferentes a cada semana a través de algunas de las cosas que más y menos les gustan en la vida alternando con la fórmula amo/odio en la manera del famoso cortometraje de Jeunet y Caró.



 

Insônia