Pular para o conteúdo principal

A esperança foi para as ruas





Depois de outro domingo tenso, além da importante vitória da democracia, veio a vitória da sanidade, da ciência, do respeito, da cordialidade, da tolerância, do diálogo, das instituições democráticas, do conhecimento. Veio o conforto e o alívio, depois de quatro anos de desmontes, desgraças, violência, empobrecimento, opressão, terror e ódio. Nas ruas as pessoas se juntaram num clima de fraternidade e alegria. Desconhecidos se acenavam e se abraçavam, se reconheciam um no outro. As bandeiras saíram desfraldadas depois de anos escondidas pelo medo atrás das portas. Os gritos trancados e sufocados saíram da garganta e aliviaram as almas daqueles que resistiram, dos que sabiam desde o princípio que aquele rumo de 2018—e de antes até—não daria em nada auspicioso. Foi o grito também dos que enxergavam além das simplificações, das bravatas, dos absurdos, das afrontas.

Muitos choraram pelas vítimas da Covid-19, pela falta de oportunidades enfrentadas pelos filhos, pelas pessoas que empobreceram, pelo imenso contingente de miséria e fome que assolou o país,  pelas mortes de ativistas e indígenas na Amazônia, pelas mortes de pessoas negras pela polícia, pelo desmonte das politicas públicas, pelas barbaridades cometidas pelo governo e ditas pelo chefe de Estado e por seus pares. Pela vergonha alheia quando se pronunciavam e por todas as suas ações avessas ao desenvolvimento social, ambiental, institucional, econômico e humano.

Infelizmente, somos ainda 51 por cento, mas gostaria que a partir de 2023, os 49 aprendessem uma lição importante:  Lula, um brasileiro, é o maior líder político do mundo, que como ele mesmo disse, tentaram enterrar vivo. Ele sim, é o verdadeiro mito que se torna uma lenda, aquele que tentaram trancafiar e aniquilar.  Assim fazem os medíocres com poder, sempre tentam calar e difamar os gigantes. Lula se iguala aos grandes personagens mundiais como Gandhi, Mandela, Mujica, Salvador Allende, Simón Bolívar, Che Guevara, Martin Luther, Dalai Lama, John Lennon, Chico Mendes, etc. É incontestável, o mundo sabe.  Os líderes mundiais prontamente o parabenizaram pela vitória. 

Além disso, na pessoa dele como Presidente e em sua forma de governar, desejo que os 49 por cento aprendam, ainda que pouco a pouco, sobre tolerância, sobre respeito à diversidade, sobre respeito às crenças religiosas e aos ateus, sobre a importância do conhecimento, sobre informação de qualidade, sobre desarmamento e sobre pacifismo. E o mais importante, que aprendam que a pobreza não faz parte da paisagem e que os pobres não são criminosos. Que os méritos devem ser considerados como tal, somente quando a linha de partida seja igual para todos, assim aprender o que é justiça social. Que aprendam que a distribuição de renda não será feita confiscando nada de ninguém. Que as cotas raciais são uma forma de reparar os mais de 300 anos de escravidão e que o racismo seja literalmente extinto dos corações. Que os nordestinos são um grande povo, com sua cultura, sua arte e sua gastronomia e que não há a mínima chance que as regiões do Brasil se separem por conta de ideologia política. O Brasil é nosso país por inteiro, o verde-amarelo é a nossa cor. E por fim, que o capitalismo esteja a serviço do desenvolvimento humano e não para servir a perversos poderes e poderosos. 

Para terminar, parabenizo e confraternizo com todos os que resistiram, que brigaram, que perderam amigos e familiares para o ódio, que tentaram argumentar, que tentaram mostrar o caminho, aos que entenderam, aos que estudaram, aos que leram, aos que se compungiram, aos que foram generosos e ouviram com atenção, aos que acreditaram. Agora é reconstruir as ruínas deixadas, pedra por pedra e esperar que o futuro seja um lugar melhor para se viver! Feliz próximos anos para todos nós, e para eles também!

Comentários

  1. Teu texto retrata fielmente o tipo de governo que tivemos nesses últimos quatro anos...e a reconquista da Democracia com a vitória de Lula Presidente do Brasil. Muiiito bom!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu me confraternizo muito contigo, pois tu foste daquelas pessoas que me ouviram com atenção, que leu, que estudou e entendeu o espírito dos dias que estávamos vivendo. Não é somente sobre um homem, um salvador da Pátria, é sobre um projeto de país que queremos e felizmente, tu e eu queremos o mesmo. Beijo.

      Excluir
  2. E...nós, enquanto povo brasileiro, já vislumbramos um novo projeto de País...onde a Saúde, a Eduação...tomam seu lugar de prioridade....
    E nossa voz tem força outra vez...
    Sim, estamos juntas!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sinta-se à vontade para comentar

Postagens mais visitadas deste blog

O Caderno, escritos do amanhecer

Queria escrever no teu caderno. Naquele que resgatei, antes de ser largado no lixo. Fiz isso talvez, digo talvez, por uma súbita intuição de desfecho. Queria ler e juntar teus pensamentos com os meus, misturando as letras e os manuscritos. Queria poder juntar nossas inspirações, talvez criar um romance, um conto, uma narrativa breve que seja, mesmo que tenhamos estilos diferentes e tua criatividade vá muito além da linguagem e do meu amadorismo. Queria misturar nossos traços, rascunhos,  já quase ilegíveis, formados numa infância onde se fazia caligrafia— isso já faz tanto tempo!—até produzir um texto ao menos coerente e coeso como mandam as leis da escrita. Ou não, pois ainda busco a licença poética dos artistas, que têm liberdade com as palavras, ao contrário das palavras ditas que podem ser a nossa desgraça. Eu precisava do caderno, não para descobrir teus segredos, mas para ter o privilégio de escrever de meu punho, junto ao teu, naquelas folhas amarradas em espiral com uma cap...

Diversidade Incômoda

Tempos atrás escrevi um texto com o título Sobre Malandros e Indolentes que falava sobre um comentário racista, desumano e perverso de um político brasileiro sobre negros e indígenas. Lá citei o exemplo de vida de minha trisavó, cuja história, mesmo sabendo quase nada, usei para repudiar veementemente a fala do político. Segundo relatos que eu ouvia da família, ela era uma mestiça filha de um negro com uma indígena ou vice-versa. No texto eu dizia que provavelmente ela tinha sido escrava da família onde passou a viver, não se sabe em que circunstâncias, na fazenda de um criador de gado no interior do Rio Grande do Sul com quem, depois dele enviuvar, passou a conviver como sua mulher.  Joanna Apolinário , minha trisavó por parte de mãe nasceu em junho de 1867 em Corrientes na Argentina. Em leituras posteriores descobri que a abolição da escravatura na Argentina foi promulgada em 1813, mas de fato só passou a vigorar em 1853, o que pode ser descartada a hipótese de ela ter nascido e...

Tanger em 8 horas طنجه

Era agosto de 2019 e tínhamos iniciado uma viagem desde a Galícia até a Andaluzia , comunidades autônomas da Espanha, passando por várias cidades portuguesas e espanholas. Fazia parte do roteiro uma visita à cidade de Tanger no Marrocos, atravessando o Estreito de Gibraltar no Mar Mediterrâneo desde o Porto de Tarifa . Tínhamos reservado os bilhetes com antecedência no sítio denominado GetYourguide e a reserva incluía a travessia de ida e volta de barco, translado em ônibus dentro da cidade e passeio a pé com guia local e almoço. O porto marítimo de Tarifa parece um mini aeroporto com amplas salas para espera, embarque e desembarque de passageiros, controle de metais e de imigração feitos pela Polícia Nacional Espanhola. Embarcamos às 10 horas de um domingo num confortável e enorme barco de passageiros que a empresa turística chama de balsa , porque transporta pessoas e veículos. A balsa era super confortável com assentos estofados dispostos em dois largos deques envidraçados c...