quinta-feira, 25 de maio de 2017

Luta de Classes

A luta é de classes.
O governo recebeu o povo ontem, 24 de maio de 2017, em Brasília da mesma forma que a classe média brasileira os trata no dia –a –dia : desdém, escárnio, desqualificação, uma dose de medo e criminalização.
Lá estavam pessoas das  frentes  e  movimentos organizados de trabalhadores de fábricas, estudantes, agricultores, professores, trabalhadores sem –teto, trabalhadores sem-terras, etc..
Todos são pobres, por isso, todos esses movimentos sociais são desqualificados pela mídia e desimportantes para parte da sociedade, portanto  bombas de gás, balas de borracha e balas letais   podiam ser usadas à vontade. 
Afinal,  eram só um “pequeno” grupo de 200 mil “vândalos” que, segundo  eterna manipulação, são financiados por um partido político  “criminoso”, enquanto  as “pessoas de bem” estavam, como sempre, encasteladas, tomando medidas arbitrárias, mentindo e postando fotos de incêndios e vandalismos que não aconteceram. As táticas black-blocs tão criticadas pela mídia, quando os manifestantes "anarquistas" cobrem o rosto ou parte do rosto nada mais é que uma  forma de se protegerem do gás, muito irritante para as mucosas.
Eu queria ver se lá  estivessem também sindicatos médicos, engenheiros, advogados, enfermeiros, as profissões ditas liberais que hoje em dia milhares são empregados assalariados como qualquer empregado de fábrica.
Queria ver se lá estivessem bancários, lojistas, artistas, músicos, cantores e servidores públicos. Será que teriam o mesmo tratamento, a mesma desqualificação e invisibilidade por parte dos meios de comunicação e a mesma repressão pelos meios de "segurança"?
Obviamente, não. Não, porque esses não estavam lá, porque  muitos desses não se consideram trabalhadores “daquele”(des) nível.
Aqueles atos não os representam, porque não se consideram  pobres (tampouco são ricos), nem trabalhadores quaisquer, porque têm emprego público estável, têm casa, têm propriedades, têm empregados, têm salário. Alguns já estão aposentados. Os que não estão, bem, isso está muito cedo para pensar ... 
Essa sociedade é desprovida de memória, de cultura, de raciocínio, de empatia e generosidade para não perceber que os verdadeiros bandidos são os que estão no poder. Os encastelados são os verdadeiros depredadores  e espoliadores do patrimônio público, os que roubam, matam e ferem direitos e pessoas todos os dias no Brasil.
Mas os "desqualificados" e "anarquistas" seguem lutando assim mesmo por eles e pelas próximas gerações, mesmo para quem desdenha e desqualifica e pensa que o mundo acaba ali adiante.
A luta que deveria ser de todos, infelizmente não é.
  Foto : Brasília , 24 de maio 2017 Jornalistas Livres

terça-feira, 23 de maio de 2017

E assim vamos em 2017

As instituições e parte da sociedade brasileiras definham em falta de moral, ética, respeito e empatia pelo ser humano. As elites empresariais, midiáticas e políticas destilam aversão pelo direitos trabalhistas e pelos trabalhadores, os mesmos trabalhadores que com suas mãos lhes aumenta a riqueza e o poder. O sistema não hesita em manter as desigualdades e as misérias sociais. A matemática fascista é que muitos tenham pouco ou nada, para que poucos tenham muito.E os que não têm nada devem contribuir, trabalhando, para poucos terem muito.Parece uma lógica abominável, não? Mas essa mesma lógica  era totalmente normal, aceita e legalizada nos regimes de servidão humana muito presentes em toda história da humanidade.Foi muito presente também em  300 anos de história do Brasil. Um dia alguém decidiu que o povo negro africano não era humano, que eram passíveis de serem raptados e feito de escravos à trabalho do homem “branco”.

Enquanto isso, em pelo século XXI uma parte dos brasileiros, que pouco ou nada têm, estão contaminados por um desvario. Usam as redes sociais para vociferar, abater, gritar, enxovalhar, denegrir, punir, condenar, apontar, criminalizar, formar juízo contra quem a mídia lhes outorga a fala, seja uma mulher, uma criança, um artista, um ativista político, um ser qualquer que circunstancialmente mereça o seu achincalhe.E achincalhadores não faltam principalmente aos que prezam os direitos, as garantias individuais e a democracia. Esses recebem todo tipo de afronta.Achincalham até em nome de Deus os que se intitulam religiosos e esses são os piores.

Pensar, ponderar, refletir,observar, considerar, analisar ou dialogar não fazem parte da rotina, pois as mídias tratam de moldar as verdades e acontecimentos de acordo com sua necessidade colocando num pacote pronto e bastante digerível para não dar trabalho aos cérebros tão limitados e desatentos.Para esses desatentos  consumidores da mídia tradicional as verdades são absolutas. Deu na rádio, deu na TV, é fato líquido e certo, vamos condenar e crucificar. O fascismo é assim, enquanto as instituições definham, os maiores vão humilhando os menores numa cadeia tal que o mais vulnerável de todos não resiste e é liquidado.

Esse é o Brasil de hoje, contaminado pelo ódio, aplaudindo doidos varridos e excrescências políticas que se fazem conhecer pelo discurso amoral e anti-ético.
 A  justiça está  falida  e  há uma crise ética sem precedentes... 


Triste fim de uma jovem democracia !                                 ( Março 2017 )


                              

Homenagem


A Burrice, por Márcia Tiburi

"Tem um termo altamente importante na filosofia que é o termo BURRICE.
A burrice já foi classificada.
Kant, por exemplo, no ensaio das doenças mentais disse que a burrice é um tipo de doença mental.
Nada contra as doenças mentais, elas podem ser muito ricas, muito interessantes, mas também podem ser muito sofridas.

No entanto, a burrice é algo que em geral não faz sofrer o burro, faz sofrer o outro.
Ela(a burrice)já implica uma falta de abertura para o outro, porque a pessoa inteligente se posiciona na atenção.
A atenção é um signo de inteligência, então eu presto atenção, tento entender, porque eu posso entender.
Aquele que não tenta entender é porque ele não pode entender.
Imaginem a impotência de uma pessoa que não pode entender.
Imaginem como essa pessoa se sente mal, por não ter sequer a esperança de entender o que o outro está falando ou que o outro está mostrando.
A impotência de se colocar no lugar do outro, isso é a burrice.
O burro não conversa, não pergunta, não é curioso, não lê um livro, mas não confundam-no com o tímido. Tímidos todos somos. A timidez é outra coisa.
A burrice é sempre prepotente.
O burro não dialoga.
O burro é aquele que se deixa estagnar em sua prepotente ignorância."

Enquanto a inteligência se move, se transforma e se renova, a burrice não sai do lugar.


Dois Brasis e o episódio Dia das Mães

O grande problema dos medíocres é que enfurnados na mediocridade dos meios de comunicação tradicionais que os alimenta e adestra, eles pensam que são unanimidade.
Há um outro Brasil que não assiste TV aberta, nem lê jornais, nem revistas de papel, não escuta rádio no rádio, não vê jornal nacional, nem jornal do almoço, não compra produtos anunciados nas grandes redes, não vai a fast-foods ou restaurantes multinacionais, não lhes importa a última moda de cabelo e roupa da novela, não vê as mensagens subliminares que correm soltas na propaganda e nos anúncios, não compra carne congelada nem comida processada e compra cada vez menos produtos de grandes e caras campanhas publicitárias.
Há um outro Brasil que escolhe seus meios de comunicação e produtos pela internet, que lê, que estuda, que se informa por várias fontes, pesquisa opiniões, que assiste vídeos, que escuta rádios on-line, que faz cursos gratuitos de todo gênero, que assiste palestras, que lê livros e tudo isso em outras línguas, não só em português, que compra na lojinha do bairro, no mercadinho, no açougue, na fruteira e na feira semanal onde tem cada vez mais produtos orgânicos de pequenos produtores locais, até quem sabe, produtos dos “bandidões” do MST.
É por isso que “genialidades” de marketing aparecem de vez em quando, como nesse episódio dessa loja que não cito o nome. Uma parte desse Brasil é tão adestrada e tão plena de convicções idiotas que pensam que suas ações desatinadas farão enorme sucesso e no final é um enorme tiro no próprio pé.Quantos possíveis clientes perderão nessa sandice? Muitos.Eu gostaria que fossem milhares já que pesam acusações bem mais graves sobre eles, mais graves do que essa desastrada “estratégia”.
A mediocridade não enxerga que existe esse outro Brasil.Há um outro grande Brasil que tem autonomia, que pensa, escolhe, avalia, pesa, concatena, junta os pontos e enxerga.
Há um outro Brasil que tem ética, tem respeito e prefere a justiça ao invés de execrações públicas .

La cuenta atrás

Diciembre 2016
Hoy empieza la cuenta atrás para volver a mi otra casa, a mi otro país.
He estado aquí desde hace casi tres meses, y he percibido tanto retroceso y mucha alienación del pueblo brasileño a este ilegítimo gobierno, así como una prensa cruel, alienante y manipuladora, una justicia parcial y hecha solo para los ricos.
Hoy también fue dado el tiro de gracia para un más triste Brasil, y aún más triste será el futuro de los jóvenes, de los niños y de los trabajadores, hombres y mujeres a punto de empezar una carrera o jubilarse, por que una cuadrilla de ladrones llamados diputados y senadores les roba su futuro. 
No hace falta gritar ni clamar justicia, ella no oirá a nadie! Soy afortunada porque me es posible poder escapar, pero sin dejar de sufrir las consecuencias del golpe de Estado, así como, arrastrar el sufrimiento que me embarga dejar mi familia y amigos. 
Yo jamás dejaré de pensar, el cuánto de riqueza habrá de venir a convivir con tamaña pobreza y exclusión social. Me duele ya mirar tanta desigualdad e injusticia, tanto abandono con el patrimonio, locales y servicios públicos.
Mis ojos ahora perciben lo que no miraba antes. Mi corazón siente lo que no tenia en cuenta, lo que me daba igual!

 Mientras tanto, la tele sigue cantando el mas hipócrita y famoso refrán de todos los finales de año " .....nestes novos dias as alegrias serão de todos, é só querer...hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier!"

                                  Foto : Saint Pancras Station , noviembre Londres 2015

segunda-feira, 22 de maio de 2017

República Bananeira

A República Bananeira do Brasil é forjada na corrupção, no crime, nas injustiças, na impunidade, no tráfico de influências e na lentidão ou rapidez de um poder judiciário seletivo e cheio de privilégios. As últimas delações, áudios e imagens entre governantes, políticos e empresários expõem definitivamente como são as relações, para quê  e a quem servem  os podres poderes brasileiros. Um poder que só serve ao poder e ao dinheiro, que só alimenta o poder de ter mais dinheiro, que só abastece o poder com mais dinheiro.

Esses poderes não tem limites para sua ganância, são milhões e bilhões informados a cada delação, cifras com tantos zeros que não cabem na mente, muito menos nos bolsos de nós reles mortais. Quanta hipocrisia desses “gestores “  quando de um lado são tão ávidos de receber e de outro tão mesquinhos para gerir a coisa pública. O poderoso, ávido do bem público abastece a si e aos amigos enquanto penaliza, retira o mesmo bem, espolia a massa de trabalhadores que gera essa mesma riqueza que nessa lógica, sempre acabará nas mãos de poucos. Esse é o feudalismo à brasileira, onde a máxima é que muitos tenham  pouco, trabalhando muito, para que poucos tenham muito, em muitos casos fazendo nada e com ares de “meritocracia”. Essa lógica sempre fez parte da nossa história e da história do mundo. Os colonizadores chegaram, mataram índios, escravizaram negros,  levaram ouro, prata, pedras preciosas, madeira, sementes, espoliaram terras e trabalhadores. O poder que vemos nos últimos meses é esse mesmo e deixou seus descendentes. As capitanias continuam passando de pais para filhos e netos. Já são várias as gerações de dominadores e dominados tupiniquins e a velha elite brasileira insiste no modelito à la Idade Média.

A sociedade brasileira precisa amadurecer. O trabalhador precisa investir-se de poder. Precisamos aprender que a desigualdade e a pobreza não são desígnios de Deus. Precisamos ver os outros como nossos  iguais,  aprender a defender os  direitos conquistados até aqui. A sociedade precisa ser chamada a discutir que tipo de país quer sem a tutela da mídia hegemônica lhes dê a devida permissão. Todos estão fartos de corrupção, isso é unânime, mas como transformar isso? Reforma política, eleições gerais e diretas  é o que precisamos a curto prazo. Precisamos  do exercício pleno da cidadania, discutir reformas e melhorias que contemplem a todos, escolhendo representantes engajados com as causas coletivas. E aqui há que dar um grande significado ao que é ser “coletivo “. Enquanto isso, devemos perseguir dia a dia a democracia, a igualdade  e o estado de direito.
Utopia ? Pode ser, mas sem ela não tem razão de viver !


                                    Foto : Sul21, Porto Alegre, 18 de maio 2017





Insônia